A LUTA PELO TERRENO

BE THOU MY VISION - CD- Sanctus
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Fé, otimismo, confiança e persistência. Essas foram as motivações de quem desejava ver crescer a igreja católica do bairro José e Maria, na zona leste de Petrolina, no sertão pernambucano. Após ser desmembrada da Paróquia São Paulo Apóstolo, no ano de 1998, a “Quase-Paróquia Sagrada Família”, termo usado pelo então bispo dom Paulo Cardoso da Silva, que pertence à Diocese de Petrolina, precisava erguer um templo para acomodar um número significativo de fiéis.  O lugar das celebrações não comportava o número de fies e visitantes.

 

O desejo de ver a igreja construída começou no ano de 1991, quando alguns fiéis foram até a Câmara de Vereadores de Petrolina solicitar a doação de um terreno. Conseguiram o apoio da vereadora Terezinha Teixeira Coelho (PSL), que na época se envolveu com a obra. Não demorou muito para que fosse criada uma lei que autorizava a doação de um terreno para a igreja católica do bairro José e Maria. A conquista aconteceu no mesmo ano. Nesse período Petrolina era administrada pelo prefeito Guilherme Coelho (PFL).

 

 

 

 

 

 

 

A aquisição do espaço foi fundamental para que os moradores se unissem e construíssem o templo religioso. Ao mesmo tempo em que se pensava na obra da igreja, existia também a necessidade de acolher e prestar solidariedade às pessoas que viviam em situação de vulnerabilidade social. Cotidianamente as famílias tinham casas derrubadas, já que ocupavam uma área pertencente ao município

 

A presença do padre Antônio Malan de Carvalho, dos freis Aquino Braz de Medeiros e Altamiro Tenório da Paz, juntamente com o bispo da época Dom Paulo Cardoso foram essenciais para mudar a realidade de muitos moradores daquele bairro. Com o apoio da população e das empresas realizavam doações de alimentos, roupas, calçados, edredons e outros materiais.

AS PRIMEIRAS CAMPANHAS

As novenas e celebrações realizadas com frequência nas ruas e no salão comunitário do bairro José e Maria, eram fundamentais para a igreja conseguir o apoio dos moradores nas primeiras campanhas do projeto de construção.

 

Inicialmente, surgiu a necessidade de dividir as ruas por setores, em cada um deles existia um coordenador, que tinha como missão levantar informações sobre os perfis dos moradores, e também suas principais dificuldades.

 

Maria Edwiges Teixeira foi uma das representantes. Ela viu nascer à igreja do bairro e ajudou nas iniciativas de fundação. Para ela a experiência de missão nas casas foi produtiva, uma vez que não conhecia a realidade dos moradores.

 

“A divisão setorial não só tratava da questão religiosa, tinha outra característica de cuidado com as pessoas. Muitos idosos, gestantes, crianças nos pediam ajuda. Levávamos essas solicitações para as reuniões e juntamente com os freis e demais coordenadores víamos como solucionar cada problema".

 

 

 

 

 

 

Com as constantes atividades missionárias, o número de fieis aumentou. O bispo diocesano da época, dom Paulo Cardoso da Silva, formou algumas comissões para elaborar campanhas que arrecadassem recursos financeiros para a igreja.

 

Cícera Josefa Rodrigues fez parte da primeira campanha. Ela atua na igreja do José e Maria há mais de 38 anos. “As campanhas foram fundamentais para animar a comunidade. Tínhamos boa vontade e poucos recursos. A primeira campanha que lançamos foi a do ferro velho (1998). Cada morador doava latinhas, panelas, sucatas de veículos e outros. Não faturávamos muito, mas tudo que entrava financeiramente ajudava”.

 

Após realizarem a campanha do ‘ferro velho’, a instituição religiosa começou a receber doações externas de materiais para construção, dentre elas uma carreta com diversas pedras. Dom Paulo Cardoso da Silva aproveitou a ajuda para elaborar outra campanha.

“Como já tínhamos conquistado o terreno, pensamos em despejar as pedras doadas na Praça Frei Damião do José e Maria. Na oportunidade, convidamos a população para levar outras pedras, e, assim, seguimos em procissão até a igreja. Foi lindo ver a participação dos moradores naquela iniciativa tão simples”.

O SURGIMENTO DAS CAPELAS

E o que são capelas? As capelas são igrejas com pequenas dimensões com atividades reduzidas quando comparada com a programação da igreja sede paroquial. O padre realiza as celebrações pelo menos uma ou duas vezes na semana, a depender da rotina na paróquia.

 

Com o surgimento da "quase-paróquia[1]" Sagrada Família, em 1998, eram dezesseis as capelas que faziam parte da instituição religiosa, sendo das seguintes localidades em Petrolina-PE: Vila Eduardo, Loteamento Recife, Vila Marcela, Dom Avelar, Santa Luzia, IPSEP I, Henrique Leite, N-8, N-10, N-11 do Projeto Senador Nilo Coelho, Vila Aparecida, Serrote do Urubu, Porto de Palha, Porto da Ilha, Pedrinhas e Jatobá. Todas estas estavam aos cuidados dos freis Aquino Braz de Medeiros e Altamiro Tenório da Paz.

 

Em 2003, foram acrescentadas as igrejas de Poço da Cruz, Muquém, Loteamento Padre Cícero, Vila Débora e Mirador. Estando aos cuidados pastorais do frei Manoel da Cruz Alves da Silva. Com o passar dos anos, outras paróquias foram surgindo nas redondezas, fazendo com que algumas capelas deixassem de fazer parte da Sagrada Família.

 

Em 2009, sob administração do Pe. Cristiano Dias da Silva, a igreja prestava atendimento as capelas da Vila Eulália, Dom Avelar, Santa Luzia, Terra do Sul, Pe. Cícero, São Jorge, São Joaquim, Mandacarú e Vila Débora, na Zona Leste de Petrolina-PE.

 

Em 2015, sob administração do Pe. Antônio de Jesus Moreno Pinto, a igreja do bairro Terra do Sul se tornou uma área pastoral. Nessa etapa a capela precisou iniciar um processo de formação para o surgimento de uma nova paróquia.

 

Desde 2016 a Sagrada Família atende aos bairros da Vila Eulália, IPSEP I, Pe. Cícero, Dom Avelar, São Jorge e Monsenhor Bernardino. Toda essa área está aos cuidados dos párocos Pe. Francisco Ferreira Leite Filho e Francisco José Pereira Cavalcante.

 

Nas capelas existem grupos de oração, pastorais sociais e grupos litúrgicos para animar as celebrações semanais.

 

[1] Este termo foi usado pelo bispo dom Paulo Cardoso da Silva em 1998 em função do processo de organização inicial da capela. Mesmo sem ter a estrutura montada ela já funcionava com diversas atividades.

A ARQUITETURA DO TEMPLO

Quem transita pelo bairro José e Maria em Petrolina, já deve ter percebido o formato arredondado da igreja Sagrada Família. Existem pessoas que admiram, e outras que estranham. A escolha do templo no modelo arredondado tinha o objetivo de explorar bem o espaço, doado pela prefeitura de Petrolina. Outro motivo era a capacidade para acomodar um maior número de fiéis.

 

Stênio Nunes Pereira, arquiteto responsável pelo projeto, trabalha na região há mais de 42 anos. Ele destaca os desafios e os motivos que o levou a criar um projeto inovador para o templo.

 

 “A Diocese me deixou a vontade na criação. A igreja tinha poucos recursos financeiros, não dava para criar uma estrutura tão sofisticada. Tive que pensar na simplicidade, capacidade e funcionalidade como principais elementos. Essas características foram fundamentais para elaborar um templo com uma proposta arredondada”.

 

 

 

 

 

 

 

 

Ele também relata que o templo precisava ter espaço para as atividades administrativas, e por uma questão de segurança esse ambiente não poderia ficar exposto. É importante dar visibilidade à igreja e permitir um melhor fluxo de pessoas dentro dela.

 

“Nas celebrações as pessoas tem uma melhor visão do Altar. Procurei no projeto não deixar janelas voltadas para a rua, apenas os acessos nas portas. Era uma forma de não dispersar a atenção das pessoas”.

 

 

 

 

 

 

O bispo da época, dom Paulo Cardoso da Silva, explica que foi um projeto novo na diocese. Nenhuma outra igreja católica do município tem um templo com esse tipo de arquitetura.

 

“A estrutura é bacana porque o celebrante consegue ter uma melhor visão dos fiéis. Isso ajuda durante as missas e as pessoas visualizam e acompanham bem toda a parte litúrgica”.

LINHA DO TEMPO DOS ADMINISTRADORES PAROQUIAL

1985: Pe. Antônio Malan de Carvalho (Capela Sagrada Família)

1998: Freis Aquino Braz de Medeiros e Altamiro Tenório da Paz

2002: Frei Manoel da Cruz Alves da Silva

2003: Frei Geraldo Bezerra de Souza e o vigário paroquial Sormani José Barbosa Lima

2005: Frei Severino Sebastião de Lima

2006: Frei Celso de Oliveira França e o vigário paroquial Severino do Ramo Freitas Castro

2008: Frei Adalgiso da Silva Ferreira

2009: Pe. Cristiano Dias da Silva

2014: Pe. Antônio Moreno, vigários paroquiais Pe. José Antônio e Pe. Juracy da Silva

2017: Pe. Maurílio da Silva Quirino, vigário paroquial Pe. Jason Bedor Jardim Júnior

2019: Pe. Francisco Ferreira Leite Filho, vigário paroquial Pe. Francisco José Pereira Cavalcante

© 2020 Por Fernando Alves de Oliveira

Supervisão: Prof. Ms. Teresa Leonel O. Costa.

Trabalho de Conclusão de Curso na Graduação em Jornalismo em Multimeios pela UNEB em Juazeiro-BA